A campainha toca, dois
senhores se apresentam como técnicos do Centro de Controle de Zoonoses. Viemos
por causa de várias denúncias de maus tratos de animais, diz o mais alto. Dona
Dagmar calmamente responde: sim, fui eu mesma quem as fez. Os homens
entreolham-se. Sorridente, ela continua: entrem, sejam bem vindos! Estava
esperando por vocês, vamos tomar um café, fiz bolo de cenoura e compota de doce
de laranja. Espero que gostem! Os homens a seguem sem dizer nada. Cães
esqueléticos latem sem parar. A senhora passa sem se dar conta da presença
deles e do campo minado a sua frente. No canto do quintal há um gato morto com
partes comidas. Os vermes devoram as sobras.
Dentro da casa o odor é ainda
pior, uma mistura de amônia da urina dos gatos com coisas podres. Sentem-se, a
mesa está posta. Aponta as cadeiras, a simpática senhora. Adoro bolo de
cenoura, diz um deles. Varejeiras verde petróleo passeiam pelos alimentos e o
fungo cresce abundante na compota e na manteiga. Gatos com secreções nos olhos
disputam uma fatia de presunto no chão. Após duas horas de conversa animada, os
homens se despedem de Dona Dagmar, concluindo que está tudo dentro dos
conformes. Na saída, o assunto prossegue entre os técnicos: Como o povo gosta de falar mal dos outros. Nem uma senhora tão
bondosa, que ama os animais como esta, escapa. E o outro respondeu: é, ela só queria conversar. E ainda dizem que as línguas de trapo são as das velhas.
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