Exercício nº 4


domingo, 4 de setembro de 2016

Exercício 1 - Princípios Rizomáticos

Princípios Rizomáticos

1º e 2º - Conexão e Heterogeneidade: sistema não hierárquico. Nenhum ponto é mais importante que outro. Qualquer ponto do rizoma pode e deve estar conectado com outro. Não existe um caminho já dado, este deve ser feito. O rizoma desenvolve-se em rede a partir de conexões. Uma rede em constante crescimento. Pensar em algo é estabelecer relações.
3º - Multiplicidade: Sistema aberto, livre, onde é possível percorrer múltiplos caminhos. Não existem pontos ou posições num Rizoma, existem somente linhas. Exige que o sujeito seja participativo e não espectador passivo. Web 2.0. Assimila e legitima vários pontos de vista, em detrimento de uma verdade única. Contrário ao modo de segmentação binária e linear, sob a qual se encontra organizada a sociedade. Não há um eixo central como na cultura arbórea.

4º - Ruptura a-significante: Uma ruptura onde quer que seja não causa grandes pertubações. O rizoma não pressupõe um processo de significação. Ele pode sempre ser rompido. Está sujeito às linhas de fuga que apontam para novas direções. É sempre uma cartografia a ser traçada.
5º e 6º - Cartografia e decalcomania: Um rizoma é regido pela lógica da descoberta. Um mapa que deve estar sempre em construção, desmontável e modificável, podendo sempre remeter a qualquer outro ponto em seu território. Mapas que norteiam, indicam caminhos, mas também requerem novos traços. “Fazer o mapa, não o decalque”.

 "O Minotauro" de Valêncio Xavier é um conto onde é possível encontrar os princípios rizomáticos descritos acima, começando pela falta de sequência numérica nos capítulos, onde o primeiro é X em algarismo romano e os restantes em arábicos, também fora de ordem. O leitor escolhe o caminho que deseja percorrer. Ele pode ler normalmente na ordem do livro ou tentar se orientar pela numeração dos capítulos, que fará com que tenha mais de uma possibilidade de leitura, pois há duas páginas encabeçadas com o número oito, duas páginas vinte e sete e três páginas não numeradas com os títulos: “WC”, “8 de maio” e “s/nº”.
Valêncio nos narra a história de um homem que vai para um hotel barato com uma prostituta e após fazerem sexo caem no sono. O homem acorda primeiro e foge sem pagar pelo serviço prestado. O ambiente é escuro e ele não consegue se orientar muito bem, fica vagando até encontrar a saída. Nos corredores encontra um homem, que diferente dele conhece bem o local, mas não consegue ver o seu rosto. 
O conto faz alusão ao mito grego, pois além de ser um labirinto, também há um assassinato que se torna um mistério e cabe ao leitor elaborar hipóteses no decorrer da história. 
A narrativa do conto ocorre tanto com o narrador personagem como por meio de colagens, permitindo que seja rompido sem grandes perturbações. Nelas aparecem: conversas do porteiro com outra prostituta; diálogos entre os funcionários do hotel; uma notícia de jornal que conta a descoberta de um corpo de uma mulher loira e outras. O leitor deixa de ser um mero espectador e passa a ser agente, escolhendo os caminhos a serem trilhados.