Princípios Rizomáticos
1º e 2º - Conexão e Heterogeneidade: sistema não
hierárquico. Nenhum ponto é mais importante que outro. Qualquer ponto do rizoma
pode e deve estar conectado com outro. Não existe um caminho já dado, este deve
ser feito. O rizoma desenvolve-se em rede a partir de conexões. Uma rede em
constante crescimento. Pensar em algo é estabelecer relações.
3º - Multiplicidade: Sistema aberto, livre, onde é possível percorrer múltiplos
caminhos. Não existem pontos ou posições num Rizoma, existem somente linhas.
Exige que o sujeito seja participativo e não espectador passivo. Web 2.0.
Assimila e legitima vários pontos de vista, em detrimento de uma verdade única.
Contrário ao modo de segmentação binária e linear, sob a qual se encontra
organizada a sociedade. Não há um eixo central como na cultura arbórea.
4º - Ruptura a-significante: Uma ruptura onde quer que seja não
causa grandes pertubações. O rizoma não pressupõe um processo de significação.
Ele pode sempre ser rompido. Está sujeito às linhas de fuga que apontam para
novas direções. É sempre uma cartografia a ser traçada.
5º e 6º - Cartografia e decalcomania: Um rizoma é regido
pela lógica da descoberta. Um mapa que deve estar sempre em construção,
desmontável e modificável, podendo sempre remeter a qualquer outro ponto em seu
território. Mapas que norteiam, indicam caminhos, mas também requerem novos
traços. “Fazer o mapa, não o decalque”.
"O Minotauro" de Valêncio Xavier é um conto onde é possível
encontrar os princípios rizomáticos descritos acima, começando pela falta de
sequência numérica nos capítulos, onde o primeiro é X em algarismo romano e os restantes
em arábicos, também fora de ordem. O leitor escolhe o caminho que deseja
percorrer. Ele pode ler normalmente na ordem do livro ou tentar se orientar
pela numeração dos capítulos, que fará com que tenha mais de uma possibilidade
de leitura, pois há duas páginas encabeçadas com o número oito, duas páginas
vinte e sete e três páginas não numeradas com os títulos: “WC”, “8
de maio” e “s/nº”.
Valêncio
nos narra a história de um homem que vai para um hotel barato com uma
prostituta e após fazerem sexo caem no sono. O homem acorda primeiro e foge sem
pagar pelo serviço prestado. O ambiente é escuro e ele não consegue se orientar
muito bem, fica vagando até encontrar a saída. Nos corredores encontra um
homem, que diferente dele conhece bem o local, mas não consegue ver o seu rosto.
O conto faz alusão ao mito grego, pois além de ser um labirinto, também há um assassinato que se torna um mistério e cabe ao leitor elaborar hipóteses no decorrer da história.
A narrativa do conto ocorre tanto com o narrador personagem como por meio de
colagens, permitindo que seja rompido sem grandes perturbações. Nelas aparecem: conversas do porteiro com outra prostituta; diálogos entre os funcionários do
hotel; uma notícia de jornal que conta a descoberta de um corpo de uma mulher
loira e outras. O leitor deixa de ser um mero espectador e passa a ser agente, escolhendo os caminhos a serem trilhados.


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