Caro
Sr. Stallman,
Como
tem passado? Espero que goze de boa saúde. Resolvi escrever esta carta para
deixar claro ao senhor o meu ponto de vista. Gostaria que soubesse que não me
surpreendi com a sua declaração de contentamento com a minha morte. Era o que
eu poderia esperar do senhor. Um homem que deseja que meu legado termine com a
minha partida, não só é ingênuo como é tolo. Eu ensinei o caminho das pedras para
aqueles que querem lucrar cada vez mais. E quanto a não haver alguém a minha
altura, aceito o elogio. Porém, acredito que existam inovadores com os pés no
chão em quantidade suficiente por aí para fazer diferença neste quesito.
O
seu movimento software livre não passa de uma utopia e está fadado ao
fracasso, pois é feito por e para um grupinho que se autodenomina “Real
Programmers”, que prefere disputar ego a criar algo que o mundo deseje. Eu
e todos os que querem seguir os meus passos temos uma coisa em mente, aquilo
que faz a diferença, o que habita no coração da maioria dos usuários de informática,
que pode ser resumida em duas palavras – facilidade e beleza. A primeira apesar
de encarecer o produto, atende até aos menos entendidos no assunto, permitindo
acesso a todos; e a segunda confere status social, o que a vaidade de cada um
se encarregará de criar a necessidade.
Sugiro
que pare de atrapalhar aqueles que possuem potencial para ir mais longe e
atender um número maior de pessoas. Eles estariam fazendo um bem maior à
humanidade que teria acesso aos seus programas, mesmo tendo que pagar por isso,
do que da forma que vocês chamados “Real Programmers” oferecem.
Atenciosamente,
Steve
Jobs
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