Sai para almoçar e passa no banco. A fila está grande e
embolada. Depois de vinte minutos, Geraldo é o sétimo na filha. A próxima a ser
atendida é uma moça com cabelo curtinho que mexe no celular, seguida de uma
senhora de vestido com uma menina que brinca com o relevo das flores bordadas na
bolsa da mãe. Logo atrás, outra, gorda, que cheira a cachorro, conversa com a
da frente a respeito do tempo. Na ordem, um senhor careca olha os papéis em
suas mãos, uma mulher de jeans e camiseta está impaciente com a demora e um
homem de camisa amarela escuta música, com Geraldo distraído atrás dele. Espera! (Pensa retornando das suas divagações a
respeito do motivo da recusa de Laura). Este homem não estava aqui antes! Não me
lembro dele. Talvez estivesse. Como pode um homem tão bem apessoado passar na
frente dos outros assim? Poderia
facilmente me afeiçoar a ele, se não fosse tal atitude. Todos aguardando um
tempão e sem cerimônia alguma o espertinho passa a frente? Por que ninguém
reclama? Não, isso não pode ficar assim. Vou falar com ele. Pensando bem, não
vai adiantar. Esse tipinho nunca assume. Mais que ousadia! Indiferente,
escutando música, como se ninguém fosse notar a sua cara de pau. Não, isso não
vai ficar assim. A cada pensamento a raiva de Geraldo aumenta. Ele não é tão
forte nem tão grande. Esse filho de mãe vai sair
da minha frente agora!
A convicção era tanta que Geraldo pula em cima do homem.
Este, sem esperar, olha para trás e recebe um direto no rosto. Sem dar tempo
para reação, Geraldo soca a cara do homem mais e mais vezes, que se
desequilibra e cai. A mãe da menina grita:
Assalto! Assalto! Com ódio, a moça diz para o homem de camisa amarela – Você não
vai levar meu celular! E começa a chutá-lo. A essa altura Geraldo está socando
inúmeras vezes o rosto do sujeito. O homem careca chuta as costas, enquanto a
menina as pernas. Os guardas puxam Geraldo e um estampido é ouvido . O homem
caído leva um tiro na cabeça e o sangue escorre formando uma poça no chão.
Todos param e Geraldo grita: Isso é pra você aprender a não roubar o lugar dos
outros na fila.
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