Dona Dagmar, satisfeita com suas conquistas, coloca a
coleira em Tito, um belíssimo American Pit bull Terrier, que adquiriu
recentemente. Na rua, o cão não se comporta bem, pula e morde a guia o tempo
todo, levando sua dona para passear. Vê uma cadela na outra calçada e com um
puxão se solta das mãos gordas da senhora. Um carro bate na lateral do cachorro
que gane e cai agonizando. A senhora não acredita no que vê.
As pessoas olham com
desconfiança para Dona Dagmar, que chora copiosamente agarrada ao animal. Uns
cochicham: o que será que ela tem? Alguém fala em voz alta: ela deve ser doida!
Onde já se viu chorar por um cachorro! A mãe de um menino reclama: como é que
eu vou pegar um táxi agora? Esse tipinho só causa problemas. Com o ocorrido, o
trânsito é interrompido, carros atrás buzinam sem parar. Alguém grita: ô minha
senhora, tira essa carcaça da rua que não temos o dia todo! Uma mulher de
cabelos encaracolados vestindo tailleur diz ao rapaz de boné que está ao seu
lado: e ainda amassou o carro! Se fosse o meu, cobraria dela o prejuízo.
Geraldo enfurecido sai do carro gritando: A senhora viu o
que fez? Sacode a mulher como se fosse uma boneca de pano. Antes que pudesse
dizer alguma coisa, acerta-lhe um soco na barriga. Ela cai no chão como um saco
de batatas. Ele começa a chutá-la. O rapaz de boné o segue. A mulher de cabelos
encaracolados bate com o guarda-chuva no rosto da velha dizendo: ela é muito
folgada, causa prejuízo, não pede desculpas e atrapalha o trânsito com este
animal morto. A senhora caída grita de dor até perder a consciência. Seus ossos
são quebrados e o rosto desfigurado.
Quando se torna uma massa informe ensanguentada, Geraldo
diz para a mulher de cabelos encaracolados: deixa isso aí, vamos embora. Como
já estava cansada, ela concorda e para de bater, se afastando lentamente. O
rapaz empurra para o meio fio aquela sujeira, enquanto Geraldo entra no carro e
parte pensando se deve ou não ligar para Laura.
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